CLERO PAULISTA PECA GRAVEMENTE EM ANUIR COM A EXPOSIÇÃO DA IMAGEM DE NOSSA SENHORA APARECIDA NO SAMBÓDROMO

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Por Hermes Rodrigues Nery

Pela primeira vez, em toda a história da Igreja Católica Apostólica Romana, em nosso País, a Virgem Maria Santíssima, Nossa Senhora Padroeira do Brasil será tema de um samba-enredo do Carnaval, sob o pretexto de homenagem aos 300 anos da aparição da imagem nas águas do rio Paraíba. E mais: a imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida entrará no Sambódromo paulista, na noite do domingo, dia 26 de fevereiro, sob as bênçãos do clero.

O fato tem escandalizado os fiéis, chocados não apenas com a omissão, mas com o próprio endossamento de tal profanação. O Cardeal-Arcebispo Dom Odilo Pedro Scherer, em entrevista na Rádio Vaticano, buscou justificar a iniciativa, dizendo que “o samba-enredo respeitará Nossa Senhora Aparecida”. [http://br.radiovaticana.va/news/2017/02/10/cardeal_scherer_samba-enredo_respeitar%C3%A1_ns_aparecida/1291647 ] Disse ainda que a controvérsia parte de grupos conservadores minoritários, e, de modo algum reconhece o sacrilégio e a profanação do ingresso da imagem de Nossa Senhora no sambódromo, palco da maior festa pagã do País.

O fato em si contraria a distinção feita por Nosso Senhor Jesus Cristo: “dai a César o que é de César, a Deus o que é de Deus”. A Virgem Maria Santíssima, por ser Imaculada, em toda a sua inteireza, não poderia jamais ser profanada, isto é, estar inserida num evento profano, diferente, por exemplo, quando os fiéis católicos levam a imagem de Nossa Senhora, sob um andor, em procissão religiosa pelas ruas, como expressão pública de devoção e fé. A anuência do clero de tal sacrilégio é gravíssima, percebida pelas pessoas mais simples, mesmo os que não são católicos. Os que aprovam tal iniciativa desconhecem o sentido do sagrado, “não sabem o que fazem”, como muitos daqueles que Jesus fez menção quando estava na cruz. Mas o clero deveria saber o que faz, sim. Pois são ordenados a zelar pelo sagrado, a dedicar as suas vidas, nesse sentido.

Num momento em que o Brasil mais precisa de orações, penitências e jejuns dos fiéis, para superar a grave crise em que vive (econômica, política, cultural e profundamente moral), o clero paulista deveria exortar o povo á oração, às práticas de piedade e devoção, especialmente em atos inclusive públicos que honrasse Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Mas o que vemos, no entanto, é o clero paulista anuir com pecado, pois pecam gravemente ao expor a imagem de Nossa Senhora numa festa pagã, profanando-a. E levam os fiéis católicos (cada vez mais confusos coma extensão do relativismo) a pecar. Por isso, é preciso, enquanto leigos católicos, expressarmos publicamente tal equívoco, reforçando nossas orações pela conversão daqueles que assumiram o compromisso de defender a fé e salvaguardar a sã doutrina.

Hermes Rodrigues Nery é Coordenador do Movimento Legislação e Vida, e colaborador do blog Cooperadores da Verdade.

QUEM DEFENDERÁ O INDEFESO? – Prof. Hermes Rodrigues Nery

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Pronunciamento do Prof. Hermes Rodrigues Nery, Presidente da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, na audiência pública realizada em 06 de dezembro de 2016, na Câmara dos Deputados, na Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência [http://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/cpd/noticias/comissao-promovera-no-dia-06-12-audiencia-publica-para-discutir-aspectos-relacionados-a-microcefalia-e-o-surto-de-zika-no-brasil, para debater os aspectos relacionados à microcefalia e o surto de zika no Brasil, e as políticas públicas relacionadas ao tema.

A vida só adquire um sentido verdadeiramente humano quando vivida com amor. E é isso que precisa estar refletido em nossas legislações.1

Excelentíssimo Sr. Deputado Federal Diego Garcia (PHS-PR), demais deputados Eduardo Bolsonaro (PSC-SP), Eros Biondini, e Rosinha da Adefal (PTdoB-AL), e demais presentes.

Caríssimos amigos,

Retornamos a essa Casa Legislativa às vésperas da votação da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 5581), no Supremo Tribunal Federal, cuja relatora é a presidente do STF, ministra Carmem Lúcia. Requeremos a participação da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, como Amicus Curiae, ao que encaminhamos à ministra minucioso o estudo elaborado pela Associação Médica dos Católicos de Brasília, assinado pelo Dr. Stéfano Borges Pedroso, Defensor Público do Distrito Federal; cuja parte que diz respeito aos danos que o aborto provoca à saúde da mulher, quero trazer aqui nessa audiência pública, brevemente, alguns pontos que considero relevantes para reforçar a necessidade que temos hoje em defender a saúde da mulher ( vítima da falsa solução do aborto que lhe oferecem), e também a defesa do nascituro, penalizado com a morte, com assassinato cruel, de uma vida humana inocente e indefesa, privando-o do direito à vida, e causando assim, o horror da matança dos inocentes, patrocinado pelo Estado, quando o Estado existe para ser defensor da vida e da família, defensor da primeira e principal instituição humana, defensor da vida em sua fase mais fragilizada, defensor e promotor daquele que mais precisa de acolhida, de amparo, de suporte, de valorização efetiva.

Mas o que estamos vendo é o Estado brasileiro sendo instrumentalizado por forças impondo uma agenda de organismos internacionais (imbuídos de ideologias inumanas, com a mesma lógica que moveu o faraó egípcio e também Herodes, ao ordenarem a matança das criancinhas) para se voltar contra o que temos de mais precioso: o dom da vida.   “Na raiz de qualquer violência contra o próximo, há uma cedência à ‘ lógica’ do maligno, isto é, daquele que ‘foi assassino desde o princípio’ (Jo 8, 44)’. 2

Esta conjura contra a vida, avança cada vez mais, nas expressões de violências e atentados contra a vida [“Tudo quanto se opõe à vida, como seja toda a espécie de homicídio, genocídio, aborto, eutanásia e suicídio voluntário; tudo o que viola a integridade da pessoa humana” (…)  Todas estas coisas e outras semelhantes são infamantes; ao mesmo tempo que corrompem a civilização humana, desonram mais aqueles que assim procedem, do que os que padecem injustamente; e ofendem gravemente a honra devida ao Criador”.3  Com isso, “espezinhada no direito fundamental à vida, é hoje uma grande multidão de seres humanos débeis e indefesos, como o são, em particular, as crianças ainda não nascidas.”4

E que direito humano é esse que que é direito da mulher torturar e matar um ser humano inocente e indefeso dentro de seu próprio ventre, o direito de eliminá-lo com substâncias salinas, succioná-lo, quebrar-lhe os ossos e privá-lo do direito de nascer e ser acolhido como pessoa humana? É pois uma perversão de direito humano, que se volta contra o ser humano. E muitos profissionais que deveriam ser os primeiros a recusar veementemente tal prática, a recorrer à objeção de consciência diante disso,  muitas vezes estão hoje sendo coniventes com essa lógica de morte. Nesse contexto vemos ainda que “a própria medicina que, por vocação, se orienta para a defesa e cuidado da vida humana, em alguns dos seus sectores vai-se prestando em escala cada vez maior a realizar tais atos contra a pessoa, e, deste modo, deforma o seu rosto, contradiz-se a si mesma e humilha a dignidade de quantos a exercem.”5

Quando os defensores do aborto falam do aborto como questão de saúde pública, quero ressaltar que por sermos defensores da saúde da mulher é que queremos evitar os danos á saúde da mulher causados pelo aborto provocado.

No estudo elaborado pela Associação dos Médicos Católicos de Brasília6, destaca os argumentos contraditórios, inconstitucionais e eticamente inaceitáveis da ADI, cumulada com ADPF, requerida pela Associação Nacional dos Defensores Públicos (ANADEP), que pleiteia ao STF a descriminalização do aborto “quando feito por gestantes infectadas pelo vírus Zica”, nos “casos de síndrome congênita causada pelo vírus de Zika”8, salientando “o objeto e objetivo abortista encapsulado e emaranhado na ADI c/c ADPF”9. Buscando ainda “criar mais uma hipótese, sem limitação séria ademais, de aborto juridicamente permitido em nosso ordenamento”10. A tese da ANADEP “padece de graves inconsistências l&o acute;gicas, ancorando-se em meras suposições ou em interpretações enviesadas de achados científicos”11, chegando inclusive “a conclusões e avança pedidos frontalmente repelidos pela sociedade brasileira e absolutamente contrários  ao nosso sistema jurídico, constitucional e legal”12. E mais: “A ANADEP parece não ter considerado a abertura de perigoso precedente no ordenamento jurídico pátrio: a possibilidade de se autorizar aborto quando houver a confirmação ou a mera suspeita de gestação de feto com deficiência13”. E ainda ressalta no pleito da ANADEP, “a defesa da introdução de novos meios anticoncepcionais para corroborar a atual política fracassada que tenta assegurar o direito ao planejamento familiar e, o mais grave, a defesa do aborto em qualquer situa&ccedi l;ão de infecção materna por zikavirose, apoiado ou não em exames comprobatórios da infecção materna, constatado ou não a existência real de risco para o feto, verificado ou não a presença de anomalias fetais.  Quanto a esse último tópico, percebe-se uma linha de argumentação que perpassa toda a inicial com o propósito de chegar a uma decisão jurídica favorável à ‘interrupção da gravidez’, ou seja, ao aborto, em linguagem direta. A extensão dessa pretensão (…) vai além da eugenia, alcançando potencialmente milhares de crianças sem nenhuma evidência de anomalias e sem risco de desenvolver anomalia”14

Conforme os próprios dados do Ministério da Saúde, dentre os notificados e os que realmente foram confirmados para microcefalia, confirmações muito reduzidas em relação aos notificados, e muitos ainda sob investigação. O fato é que há muitas interrogações nesse campo, muitas imprecisões, e muita instrumentalização da situação vulnerável de mulheres fragilizadas, para justificar pretextos que trazem a elas sofrimentos e danos muito maiores. O estudo da AMCB destaca tais questionamentos, que aqui apresentamos alguns deles.

Os defensores do aborto se favorecem das imprecisões , das generalizações, da falta de conhecimento sobre o assunto, para influir os tomadores de decisão, com a mentira, o sensacionalismo, os eufemismos e ambiguidades da linguagem.

Na questão objeto dessa audiência pública, cabe afirmar, de modo retumbante:

Não é verdade que em todas as situações haja “relação causal entre o vírus  e a síndrome congênita”15.

Não é verdade que todos  os “acometidos pela epidemia da zika”16 sejam também afetados pela microcefalia: “dos 9,514 casos notificados, apenas 20% aproximadamente  foram confirmados. Isso mostra o quanto podem as imprecisões , os critérios até agora  disponíveis e, pois, o quanto pode ser inadequado impor uma dúvida e cobrar de uma mãe ou de uma família a decisão pela eliminação do filho no ventre”17.

Não é verdade que todos os “conceptos evoluem para a síndrome congênita de zika”: “estudo retrospectivo do surto na Polinésia Francesa (casos infectados por cepa semelhante à encontrada no Brasil), estimou, por modelos matemáticos, que o risco possivelmente situa-se em 1% quando a infecção ocorre no primeiro trimestre da gravidez”18.

Não é verdade que todos os conceptos, cujas mães foram acometidas pela zikavirose nasçam com microcefalia. Muitas crianças nascem sem problemas, mesmo quando a mãe comprovadamente  sofre a infecção por ziokavirose na gravidez. Portanto, a associação entre a gravidez e a síndrome congênita de zika não pode ser vista como uma fatalidade”19.

Não é verdade que oferecer à mulher a falsa solução do aborto, significa estarem preocupadas com a sua saúde. Isso é absurdamente inverídico. É mentira dizer que se quer o bem das mulheres, induzindo-as ao aborto. Um estudo6 que analisou 36 artigos científicos, destacou “que 13 artigos mostraram um risco evidente de pelo menos 1 dos transtornos mentais (os mais citados foram a depressão, transtornos de ansiedade, incluindo síndrome de stress pós-traumático e abuso de drogas), relatados no grupo de mulheres que provocou aborto em relação às mulheres que tiveram parto”20. Ou ainda, analisando 22 estudos sobre aborto e saúde mental, Coleman “encontrou que as mulheres que se submeteram ao aborto, apresentaram aumento de 81% de risco de problemas em saúde mental e, que aproximadamente, 10% da incidência de problemas em saúde mental, demonstrou-se atribuível ao aborto”.21 E mais: “um estudo recente do Colégio Americano de Pediatras alerta para os efeitos adversos de um aborto induzido, independente de motivação para sua realização. Em relação à saúde mental, a publicação cita estudos na Califórnia e na Finlândia, que demonstraram  que a taxa de suicídios em mulheres nos anos subsequentes a realização de um aborto, foi de 2,5 a 7 vezes mais alta do que nas mulheres que tiveram parto”.22

Não é verdade que todas as mulheres em situações de vulnerabilidade (pobreza, doenças, etc.) queiram abortar. Muito pelo contrário: a grande maioria delas querem ser mães, não abrem mão da maternidade, mesmo nas circunstâncias mais difíceis. O que elas querem é apoio para que elas assumam a maternidade e – de modo algum – matem os seus filhos. Ainda no referido estudo, “as gestantes inquiridas, se elas consideraram o aborto como opção, se em algum momento da gestação consideraram a hipótese de abortar, inclusive perguntando-se por qual método para se checar a confiabilidade da resposta”, “em relação aos resultados: 1057 gestantes completaram a entrevista, das quais 755 (73%) delas não consideraram abortar, 142 (142 (14%) consideraram a hipótese e de abortar e 140 (14%) tentaram o abortamento.”23

Diante de tantos estudos, pesquisas, estatísticas, etc., com a evidência dos fatos, podemos indagar: como o aborto poderia ser a “melhor solução” para a mulher? Se os estudos comprovam , por exemplo, o maior número de mulheres com “casos de depressão pós-parto se comparado com o grupo de mulheres que não consideraram a hipótese de abortar”24. Como o aborto poderia ser a “melhor solução” – como propõe a ANADEP – se os “seus efeitos e danos psicológicos tendem a ser mais severos do ponto de vista psíquico, se comprado com o pleno desenvolvimento da gestação.”25

Diante dessa lógica de morte, dessa avalanche de ações e decisões contra a vida, nos indagamos clamorosamente: quem defenderá o indefeso (a criança concebida, vítima de tão cruenta violência) e também as mulheres indefesas, vítimas da desinformação, da pobreza e da maldade daqueles que lucram com o aborto, que nada estão preocupados com a saúde da mulher?

Exortamos, apelamos clementemente que a ministra relatora da ADI 5581, Presidente do Supremo Tribunal Federal – não decida contra a vida indefesa da criança inocente no ventre materno, e das mulheres também indefesas.

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“Um silêncio de morte sobre o início da vida”26

Já tinha dito isso, no começo do ano27 que, o governo brasileiro e as Ongs financiadas por fundações internacionais que promovem o aborto se mobilizaram para repetir o que ocorreu, em 2012, quando o STF despenalizou o aborto em casos de anencefalia, com a ADPF-54. Na época, durante a votação da referida ADPF-54, já se dizia: “Está aberta a porta para a legalização do aborto, no Brasil”28, via judiciária, de modo sutil e sofisticado, gradual, e por etapas. E é o que estamos vendo hoje, com os fatos confirmando essa realidade. E tal estratégia – como vimos na ADI 5581, cuja requerente é a ADANEP, visa alargar a agenda abortista no País e disseminar ainda mais a mentalidade contraceptiva, com as sutilezas já conhecidas, induzindo a população a aceitar o ab orto nesses casos, preparando assim as condições para que lá na frente o aborto seja reconhecido inclusive como direito humano, como querem as Fundações internacionais, como a Fundação Rockefeller, a Fundação Ford, a Fundação MacArthur e outras. Vejam que Prof.ª Flávia Piovesan, que é hoje a Secretária Nacional dos Direitos Humanos, está ligada a esses organismos e defende o aborto como direito humano.29

Ontem, o STF autorizou matar os bebês anencéfalos, hoje, poderão fazer o mesmo com os casos de microcefalia, amanhã, serão outras categorias. São, portanto, precedentes perigosos, a favorecer um totalitarismo que vitimará os mais fragilizados da sociedade, como o Papa São João Paulo II denunciou em sua memorável encíclica Evangelium Vitae. Como ainda afirmou o Dr. Paulo Silveira Martins Leão Júnior, presidente da união dos Juristas Católicos do Rio de Janeiro, aqui presente, “a dignidade da pessoa humana há de decorrer, necessariamente, da própria natureza do ser humano e não de circunstâncias acessórias, adjetivas, como, por exemplo, saúde e tempo de existência, pois do contrário, cairíamos em fórmulas e critérios arbitrá rios e aleatórios, conforme as conveniências do momento, condicionando e aviltando a dignidade humana, e desrespeitando os termos claros dos princípios e preceitos constitucionais”.30

Quis o constituinte incluir como cláusula pétrea, no art.5º, a inviolabilidade da vida humana, mas há aí uma omissão, ao não explicitar o desde quando, deve se garantir a inviolabilidade da vida humana, e por causa dessa omissão, o então ministro Carlos Ayres Brito, em seu voto de 5 de março de 2008, ao justificar o uso de embriões humanos fecundados para fins de pesquisa científica, abriu-se lá o primeiro precedente, a porta aberta para a legalização do aborto, por etapas. Ele não reconheceu o embrião humano fecundado como pessoa, com justificativa ancorada no positivismo jurídico de Hans Kelsen, que via as questões do direito como problemas de técnica social, e não moral. Daí a brecha para decisões imbuídas por “uma ideologia que, no fundo, r eduz tudo o que existe a um comportamento de poder.”31 [e é claro que o poder do mais forte sobre o mais fragilizado], uma “ideologia que destrói a humanidade”.32

Em seu relatório33, ele recorreu ao subterfúgio do argumento jurídico, alegando que a Constituição brasileira faz “um silêncio de morte sobre o início da vida”34. E diante daquela omissão, só consideraria a proteção constitucional dos direitos da pessoa, depois do nascimento, conforme a tese da chamada teoria natalista. Desse modo, não assegurou o direito a vida ao nascituro. A vida passou a valer em parte, e não mais por inteiro.

O guardião da Constituição Federal, foi categórico: ”Há duas distinções, dois instantes: o insubstituível início de vida e o momento constitutivo da pessoa”35, que ele não associou no mesmo instante. Passou a existir então uma brecha a não dar proteção jurídica a esse interregno [da fecundação ao nascimento], que deixou de contar, após as deliberações do STF, nesse campo, da garantia constitucional de proteção da vida, pois, segundo Ayres Brito, naquele assombroso voto,  “a nossa Magna Carta não diz quando começa a vida humana”36.

Em seu relatório, o Ministro Carlos Ayres Brito explicitou a tensão de dois posicionamentos divergentes acerca do conceito de pessoa humana: “a configuração de duas nítidas correntes de opinião”37, duas teorias que se entrechocam: a natalista e a concepcionista. E a teoria natalista é o que está prevalecendo nos votos dos ministros do STF, favoráveis ao alargamento da despenalização do aborto. E a partir de então, vidas humanas [antes protegidas pela CF e pelo Código Civil], mas por ingerência indevida do STF, passaram a ser ceifadas na sua gênese, no nascedouro, com um crime de lógica justificado pela retórica jurídica.

Na primeira posição, o nascituro é apenas parte das entranhas da mãe, e somente quando nasce com vida é que é reconhecido como pessoa. A segunda, não parcializa a dignidade, pois desde a concepção “inicia o ciclo vital de um ‘novo sujeito humano’”38 Tal conflito de posições emblematiza o agudo impasse bioético da atualidade, de dimensão salomônica, e em âmbito mais profundo, também adâmica. Um nó górdio que requer solução, mas não com atos intempestivos. Requer a solução legislativa adequada, como quis a voz originária do constituinte, reconhecendo a proteção da vida humana, desde a concepção. E é a essa mesma voz que devemos nos reportar, pois o Judiciário é poder constituído e não poder constituinte.

Sres. Deputados, o STF fez a agenda abortista avançar, com seu explícito ativismo judicial, sem que viesse, daqui do Congresso, a reação devida, à altura daquela afronta a esta casa Legislativa, sem que , até o momento, nenhuma medida eficaz foi capaz deter o ativismo judicial seja por um PDC, por exemplo, amparado no art. 43, inciso XI, que garante ao legislativo se proteger de tal ingerência por parte do STF. Ou ainda a aprovação do PL 4754/2016, que “tipifica crime de responsabilidade dos Ministros do Supremo Tribunal Federal a usurpação de competência do Poder Legislativo ou do Poder Executivo.”39 E outras iniciativas também que o povo brasileiro espera vir desta Casa, também não avançaram com devia: a aprovação do Estatuto do nascituro, a própria do CPI do aborto, et c. Por isso requeremos insistentemente aos parlamentares (tanto da Câmara quanto do Senado) para que priorizem a PEC pela Vida, para que não haja mais essa omissão constitucional, que faz o STF avançar mais a agenda abortista.

Nesse sentido, conclamamos cada parlamentar dessa casa Legislativa, fazendo o apelo para deter o ativismo judicial do STF, deter a agenda abortista (agenda antivida, antifamília e anticristã), para a provar a PEC pela Vida, pelo bem de todos.

Muito obrigado!

Link para o vídeo no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=hWJl3UkMny0&feature=youtu.be

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Notas:

  1. Pronunciamento após a aprovação da primeira lei orgânica pró-vida do Brasil, 2010 [  http://stoa.usp.br/pedrohqb/weblog/69355.html]
  2. S. João Paulo II, Evangelium Vitae, 8 [ http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_25031995_evangelium-vitae.html]
  3. Ib. 3
  4. Ib. 5
  5. Ib. ___________
  6. Petição Amicus Curiae na ADI 5581, Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, parecer elaborado pela Associação Médica dos Católicos de Brasília, Stéfano Borges Pedroso [   https://onedrive.live.com/view.aspx?resid=365932A40A4EE26F!1235&ithint=file%2cdocx&app=Word&authkey=!AIe3sG0yVOHN_Ms ]
  7. Ibidem.
  8. Ibidem.
  9. Ibidem.
  10. Ibidem.
  11. Ibidem.
  12. Ibidem.
  13. Ibidem.
  14. Ibidem.
  15. Ibidem.
  16. Ibidem.
  17. Ibidem.
  18. Ibidem.
  19. Ibidem.
  20. Ibidem.
  21. Ibidem.
  22. Ibidem.
  23. Ibidem.
  24. Ibidem.
  25. Ibidem.
  26. Monografia de Pós-Graduação em Bioética, pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), em curso promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e Pontifícia Academia para a Vida, 28 de janeiro de 2011. [ https://pt.scribd.com/doc/48165479/Monografia-Um-Silencio-de-Morte-sobre-o-Inicio-da-Vida-Hermes-Rodrigues-Nery
  27. Há ou não há um lobby para ampliar a legalização do aborto com o pretexto do Zika Vírus?, entrevista à ACIDigital, em 1º de fevereiro de 2016 [http://www.acidigital.com/noticias/ha-ou-nao-ha-um-lobby-para-ampliar-a-legalizacao-do-aborto-com-o-pretexto-do-zika-virus-55369/]
  28. Ibidem.  [http://www.vilhenasilva.com.br/noticia/o-debate-sobre-o-aborto-e-necessario-/]
  29. Defensora do aborto é escolhida para Direitos Humanos e gera reação de pró-vidas, ACIDigital, 20 de maio de 2016 [http://www.acidigital.com/noticias/defensora-do-aborto-e-escolhida-para-direitos-humanos-e-gera-reacao-de-pro-vidas-46642/]
  30. Há ou não há um lobby para ampliar a legalização do aborto com o pretexto do Zika Vírus?, entrevista à ACIDigital, em 1º de fevereiro de 2016 [http://www.acidigital.com/noticias/ha-ou-nao-ha-um-lobby-para-ampliar-a-legalizacao-do-aborto-com-o-pretexto-do-zika-virus-55369/]
  31. RATZINGER, Joseph, O Sal da Terra – O Cristianismo e a Igreja Católica no Limiar do Terceiro Milênio – Um Diálogo com Peter Seewald , Ed. Imago, 1997, Pág. 133.
  32. Ibidem.
  33. Relatório e voto do ministro Carlos Ayres Brito da Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADIN3510 [http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/adi3510relator.pdf]
  34. Ibidem.
  35. Ibidem.
  36. Ibidem.
  37. Ibidem.
  38. Ibidem
  39. Projeto de Lei 4754/2016, Câmara dos Deputados [http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2079700].

O DIREITO DE NASCER – Dom Fernando Arêas Rifan

Por determinação da 43ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, em 2005, celebra-se, em todo o Brasil, de 1 a 7 de outubro, a Semana Nacional da Vida e no dia 8 de outubro o Dia do Nascituro, ou seja, o Dia pelo direito de nascer. “A Semana Nacional da Vida e o Dia do Nascituro são ocasiões para que toda a Igreja continue afirmando sua posição favorável à vida desde o seio materno até o seu fim natural, bem como a dignidade da mulher e a proteção das crianças” (Dom Leonardo Ulrich Steiner, secretário geral da CNBB). Uma data esquecida, mas que vale a pena recordar. Nascituro, o que está para nascer, é o que todos fomos um dia, no útero de nossa mãe, onde teve início nossa existência, graças a Deus.

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Foi escolhido o dia 8 de outubro, por ser próximo ao dia em que se celebra a Padroeira do Brasil (12 de outubro), cujo título, ao evocar a concepção, lembra o fruto correspondente: Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Mãe de Deus que se fez homem, Jesus Cristo, nascituro em seu seio, que faz João Batista exultar de alegria no ventre de Isabel (Lc 1,39-45).

A propósito, diante da atual banalização da vida e de opiniões favoráveis ao aborto, defendido por inúmeras pessoas influentes, é importante lembrar que a Igreja compreende as situações difíceis que levam mães a abortar, mas, por uma questão de princípios, defende com firmeza a vida do nascituro, como bem nos ensina S. João Paulo II na Carta Encíclica “Evangelium Vitae” (Sobre Valor e a Inviolabilidade da Vida Humana): “É verdade que, muitas vezes, a opção de abortar reveste para a mãe um caráter dramático e doloroso: a decisão de se desfazer do fruto concebido não é tomada por razões puramente egoístas ou de comodidade, mas porque se quereriam salvaguardar alguns bens importantes como a própria saúde ou um nível de vida digno para os outros membros da família. Às vezes, temem-se para o nascituro condições de existência tais que levam a pensar que seria melhor para ele não nascer. Mas essas e outras razões semelhantes, por mais graves e dramáticas que sejam, nunca podem justificar a supressão deliberada de um ser humano inocente” (n. 58). E, usando da prerrogativa da infalibilidade, o Papa define: “Com a autoridade que Cristo conferiu a Pedro e aos seus sucessores, em comunhão com os Bispos – que de várias e repetidas formas condenaram o aborto e que… apesar de dispersos pelo mundo, afirmaram unânime consenso sobre esta doutrina – declaro que o aborto direto, isto é, querido como fim ou como meio, constitui sempre uma desordem moral grave, enquanto morte deliberada de um ser humano inocente. Tal doutrina está fundada sobre a lei natural e sobre a Palavra de Deus escrita, é transmitida pela tradição da Igreja e ensinada pelo Magistério ordinário e universal” (n. 62).

Agradeçamos ao Criador pelo dom da vida que nos deu, e renovemos o nosso compromisso de lutar pela vida daqueles que, como nós fomos também, ainda não têm voz, mas que são chamados a um dia agradecerem a Deus por tão grande dom. Lutemos pela vida, contra o aborto.

Dom Fernando Arêas Rifan, Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney. http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

Apontamentos sobre a campanha municipal de 2016

Por Hermes Rodrigues Nery

Ainda no começo do ano, munícipes me paravam na rua para dizer: “você precisa sair candidato a prefeito”. Mas eu respondia que eu já havia aceitado esse desafio em 2012, e a experiência mostrou que eu não tinha recursos financeiros para isso, e muito menos porque não tinha popularidade, e sem ser popular não alcançaria os votos necessários. (1)

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Além disso, conseguira me eleger vereador e presidente da Câmara, em 2009-2010, sem populismo, nem clientelismo. Mas para o Executivo Municipal, numa cidade pequena com pouco mais de dez mil habitantes, com um número de eleitores um pouco mais de seis mil, era preciso chegar a três mil votos. E sem clientelismo, não há como obter. O máximo que eu poderia buscar, novamente, era voltar para a Câmara Municipal, para prosseguir com a missão do nosso Movimento Legislação e Vida. Mas nem isso era garantido, porque eu havia ficado sem mandato nos últimos quatro anos. “Mas saia de vice numa chapa, pelo menos”, sugeriu outro mais entusiasta. “Você precisa estar no Executivo”.

Foi então que encontrei-me com um ex-prefeito da cidade, enquanto conversava com o Zequinha, da rodoviária, depois de saborear a famosa coxinha que ele vende em sua lanchonete; e o ex-prefeito, fazendeiro, me chamou para uma conversa, dizendo que estava disposto a sair candidato ao Executivo Municipal, pelo DEM, e eu poderia ser seu vice na chapa. Marcou uma reunião em sua fazenda e chamou o presidente do DEM para lhe indagar se havia alguma objeção em relação à sua candidatura para prefeito, ao que recebeu anuência, com testemunhas diversas na sala. Dias depois, informaram ao ex-prefeito fazendeiro que o presidente do DEM negociava o nome do seu filho para ser vice na chapa de quem quisesse oferecer. Com isso, ficou incerta a situação do ex-prefeito fazendeiro, tendo em vista que teria de se submeter o seu nome em convenção , sendo que o presidente do DEM tinha a maioria dos filiados e da executiva do partido do seu lado. Queria porque queria emplacar o seu filho a vice de quem quer que fosse, pois sabia que tinha o partido com o maior número de filiados, talvez depois do PSDB. Foi quando o prefeito atual (cassado pela Câmara e tendo retornado ao cargo por decisão judicial) resolveu lançar seu ex-secretário de finanças a disputar a chefia do Executivo Municipal, tendo aceitado o nome do filho do presidente do DEM para vice. A notícia correu pela rede social, mas dias depois, convencido de que o ex-secretário de finanças não tinha tanta popularidade e dificilmente ganharia a eleição, desistiu da candidatura a vice.

Enquanto prevalecia o impasse do ex-prefeito fazendeiro com o presidente do DEM, o atual vice-prefeito, também filho e neto de prefeito, expert em pleitos, como um dos favoritos, me procurou para que eu o apoiasse saindo para um segundo mandato no legislativo municipal em sua coligação, formada por 50 candidatos. Eu tinha dito a ele que estava para ser o vice na chapa do fazendeiro, mas não sabia ainda como seria o desfecho do impasse com o presidente do DEM. O fazendeiro recorreu ao deputado federal Jorge Tadeu Mudallen, presidente do DEM, em nível nacional, e também lideranças do DEM estadual para buscar meios de legitimamente ver garantido seu direito como filiado, em disputar o pleito ao cargo de prefeito. As lideranças estaduais disseram que ele teria de ir para a convenção e submeter s eu nome nela, mostrando assim interesse em agradar o presidente do DEM. “O Partido não é dele, como pode agir assim?” indagou o fazendeiro. A um dos líderes estaduais, voltou a dizer que isso teria que ser resolvido em convenção, ele tinha o controle do partido, pois ele próprio filiara a maioria deles. O intrigante nisso tudo era a obsessão do presidente do DEM em emplacar seu filho na vida pública, custasse o que custasse.

Nesse ínterim, o ex-secretário de finanças me chamou para conversar e quis também que fosse o seu vice, sabendo que seria difícil a candidatura do fazendeiro ser aprovada na convenção. Acabei recusando a proposta, sugerindo que o presidente do DEM fosse, ele mesmo, o vice de sua chapa, tendo em vista ele ter muito mais popularidade. O presidente do DEM não queria sair de vice do ex-secretário de finanças, nem o ex-secretário de finanças queria que ele fosse o seu vice. O presidente do DEM preferia mesmo sair a vereador, pois já estava em seu 4º mandato consecutivo, mesmo dizendo as todos que estava pondo fim à sua carreira política. Mas acabou aceitando ser vice, e lançou seu filho candidato a vereador na chapa DEM-PSDB, com apenas nove candidatos, o que requeria que seu filho fosse muito bem votado para ser eleito. Geralmente as chapas saem com quatorze a dezoito candidatos. Somente nove iriam exigir que o filho do presidente do DEM tivesse uma votação acima de quatrocentos votos, o que era muito difícil. Seria preciso uma mobilização muito forte para isso. O pai, eleito várias vezes, era dono de farmácia, assim como o filho, e tinha uma grande freguesia, de maneira que o filho praticamente entregava o santinho com o número para quem transitava pela farmácia, cujos atendimentos clientelistas o pai era especialista em fazer.

Aceitei sair candidato a vereador, para um segundo mandato ao Legislativo Municipal, em condições menos favoráveis do que da primeira vez em que fui eleito, em 2008. Naquele ano foi possível fazer uma melhor propaganda, com placas de rua, banners e um boletim informativo. Obtive 151 votos, sendo eleito em 7º lugar. Não é fácil conseguir 100 votos numa cidadezinha bucólica do interior, onde saem quase cem candidatos, disputando um eleitorado de pouco mais de seis mil pessoas, sendo que os eleitos ficam entre os 100 e 200 votos, um ou outro conseguem chegar a 300. Passando isso, já é excepcionalidade. Também foi possível, na eleição de 2008, fazer um bonito banner que foi colocado em frente a Igreja Matriz, além das visitas feitas, etc. Também naquela vez fiz uma lista de pessoas a serem visitadas e a quem requeri o voto, tendo pois acertado na lista, de pessoas idôneas, capazes de anuir com o voto consciente.

Estive muito mais envolvido com o comitê do candidato a prefeito, acompanhando-o com outros candidatos a vereador, nos bairros da zona rural. Enquanto preferi trabalhar mais com a equipe do comitê, saindo com os demais candidatos da coligação, os mais expert quase não apareciam, eram vistos sozinhos, com seus carros se dirigindo para alguma estrada que o levasse a um bairro da zona rural. “Agem nas sombras”, queixou-se o ex-prefeito fazendeiro, que nos acompanhou também aos bairros. Alguns candidatos ficavam à porta do comitê, no começo da noite, e conversavam com tipos estranhos, com o corpo quase todo tatuado, com cheiro de cerveja, e pediam dinheiro, etc. Um ou outro faziam sinais, e logo eles se dirigiam a um bar ali próximo, e depois sumiam pelas ruelas escuras.

Outro fator desfavorável foi o tempo mais curto para a campanha, pouco mais de um mês, o que não foi possível visitar todos os que inicialmente eu havia listado, muitos que trabalham em cidades vizinhas, mudaram de endereço, casaram-se, etc. Fiquei gratificado pela acolhida em muitas casas, pois muitos reconheciam o trabalho feito no primeiro mandato e um bom passado conta muito na decisão do voto. Chegar ao Legislativo pelo voto consciente, é um dos objetivos do Movimento Legislação e Vida, lembrado por um dos munícipes, que se recordou de termos promulgado a primeira lei orgânica pró-vida do País, em 2010.

O que se dizia era isso: “Precisamos de uma Câmara com qualidade”, e eram eleitores assim que procuravam, como que se eu quisesse escolher o eleitor. E assim a campanha permitiu a partilha de ideias e experiências, num alargamento de contatos, e mais aprendizado.

Numa noite, depois de uma reunião de bairro, alguns candidatos foram tomar cerveja num bar, e a conversa esticou para quase uma da manhã: “Por que a cada eleição, parece que aumenta o número de cacarecos bem sucedidos?”, perguntou outro munícipe. Ele quis dizer que a cada eleição menos pessoas instruídas, moralmente preparadas para a função, parecia levar mais vantagem. “É porque eles são espertos!”, respondeu outro. “E sem esperteza não se ganha”, acrescentou mais um.

“Como assim? Dê algum exemplo”, perguntou um rapaz candidato da nossa coligação. E então, o veterano em política lhe explicou:

“Compra-se o voto, você entende? De diversas formas, e cada vez mais, de modo sofisticado e sutil”.

E um deles contara que aprendera com vereadores de vários mandatos, como as coisas funcionam, dando nome inclusive de donos de bares que auxiliavam nisso.

“Você chega lá e negocia. O dono do bar pede para que você arrume quatro, cinco ou seis pessoas, que, treinadas, poderão fazer a boca de urna, sem que ninguém perceba. Eles anotam o número bem pequenininho num papel, e ficam o dia todo em frente à escola, entregando o papelzinho para conhecidos, gente do morro, que depois ganham cervejada grátis por uma semana, com nome anotado na caderneta. Ou ainda, outro grupo de quatro ou cinco (todos pagos por dia), se encarregam de buscar eleitores nas casas deles, e no transporte, dentro do carro, alguém entrega o papelzinho com o número, e um envelope com dez, vinte ou até cinquenta reais. Além, é claro, da cervejada depois. Quanto ao pagamento desses quatro ou cinco que fazem o “trabalho”, o candidato paga, por exemplo, cem reais, e caso ganhe, ele paga mais cem. Assim, saem apenas por 200 reais por pessoa, para tal “serviço”. O dono do bar tem ainda uma relação de desempregados, pessoas com problemas em casa, que receberão um dia antes uma cesta básica, que alguém leva, à noite. E ganha-se para fazer essa entrega, com o papelzinho contendo o número do candidato. Outros ainda pagam para deixar seus carros estrategicamente colocados à frente das escolas aonde ocorrem as votações, com os adesivos colocados em seus vidros. E assim por diante.

“Ganha-se a eleição no dia!”, falou outro entendido, em política como negócio, que começa nas estratégias para ganhar o pleito. Um deles propôs: “Arruma cinco ou seis pessoas de sua confiança, e manda falar comigo, que eu os instruo. Quanto mais se paga, mais votos se podem obter, causando impacto na hora da abertura das urnas, com uma votação bem expressiva.”

Ele ficou esperando que no dia seguinte eu fosse levar o nome de pessoas para serem instruídas nessas táticas de compra de voto, mas não fui atrás delas, e não voltei mais lá. Interessava-me o voto limpo, o voto de qualidade, o voto consciente. Continuaria eu mesmo conversando com aquelas que aceitassem votar por convicção em nossas propostas e nossos posicionamentos.

Por algumas vezes encontrava candidatos inclusive de outra coligação, mas conversávamos sobre o rumo da campanha e diziam: “Tem gente comprando voto, vão comprar voto no dia, vão estourar de votos assim”.

No dia da eleição, ao menos dois candidatos expert ficaram na frente das escolas acompanhando a movimentação, com latas de cerveja na mão. Alguém perguntou: “Acabou a lei seca?” Ao que outro respondeu: “Isso nunca pegou aqui!” E passou o dia encharcando a cara, ele próprio dono de bar. O resultado das urnas mostrou tudo: os expertforam reeleitos, e também o filho do presidente DEM. Dois donos de bares foram eleitos. Obtive 85 votos, não alcançando assim os votos necessários para o segundo mandato. Mais uma vez os expert venceram, e de modo pragmático, sem princípios e valores, garantiram suas cadeiras. E assim, cada vez mais, vamos vendo avançar aqueles que fizeram da política um negócio, formam cartéis, se reelegem quantas vezes quiserem, diminuindo cada vez mais as chances de ingresso dos que realmente querem fazer valer o voto consciente. 

Hermes Rodrigues Nery é coordenador do Movimento Legislação e Vida. Email: hrneryprovida@uol.com.br 

***

Outro amigo, Adrian Paz, candidato a vereador, enviou-me a seguinte mensagem: 

Meus amigos, louvo a Deus pela amizade de cada de vocês, aproveito para agradecer muitíssimo pelo apoio e empenho despendidos em favor de nosso projeto de candidatura.

Em breve análise destas eleições, posso dizer que nosso câmara tombou para esquerda, a participação cristã católica foi diminuída, é bom que se enfatize, já a cultura da morte fincou seus marcos e aumentou o número e a importância dos seus representantes, cinco candidatos abortistas e gayzistas entraram,  o que nos fará lutar ainda mais pela defesa dos nossos valores, porém, sem um mandato, sem votos e sem recursos financeiros, como sempre foi.

A partir dessa fragorosa derrota, ao meu ver, faço um mea culpa e apresento aquilo que seja talvez a maior falha, responsabilizo a total desinformação dos fiéis promovida por seus pastores, por eles ainda não terem sido suficientemente alertados para o risco iminente ao qual nossa sociedade está exposta, importante tarefa do Colegiado da Rede de Ação pela Família daqui pra frente. Nossos pastores devem ser o nosso foco e devem ser formados e informados sobre sua responsabilidade, pois enquanto muitos católicos estavam preocupados em não contribuir com a “politicagem” não dando seu voto, o outro lado se organizou a tal ponto de conseguirem aumentar a quantidade de seus representantes e com um número qualificado, expressivo e retumbante de votos.

A estratégia marxista funcionou, dividir para conquistar, o que ocorreu por meio da grande quantidade de partidos e de candidatos, com isso os votos conservadores foram pulverizados. Enquanto dividimos e focamos em candidaturas específicas e não em um projeto de um grupo de candidaturas cristãs, eles foram mais efetivos em suas ações; os filhos das trevas são mais espertos que os filhos da luz. Enquanto o Papa Francisco diz que é obrigação do cristão imiscuir-se na política, nossa igreja particular isentou-se do processo por meio de um decreto. Onde estão os profetas do altíssimo a denunciar o mal que avança como o crepúsculo?

É meus amigos, nosso trabalho se tornou mais árduo, caminharemos a partir de agora diariamente ao patíbulo, para sermos constantemente julgados e taxados de intolerantes e fundamentalistas, mas ainda assim estaremos lá e continuaremos contando com Deus e uns com os outros.

Por outro lado nossos votos foram significativos e marcantes, pois foram 1.076 votos convictos e marcados pela esperança. Faltou pouco, pois com quatro mil estaríamos eleito, mas ainda assim nossa campanha foi vitoriosa, pois foi feita com ética, sem dinheiro e sem mandato, passamos apenas com pequenas doações e terminamos sem nenhum endividamento, experiência que deve ser conservada e trabalhada para que possamos dar continuidade ao nosso chamado na política.

Deixo meus parabens a bancada evangélica que tao bem realizou o dever de casa e conseguiu eleger seus representantes, agora temos que nos empenhar para que nosso município não se afunde mais nas trevas, fechando o cerco com a eleição de um mandato a esquerda a prefeito, temos que trabalhar e muito para a eleição de João Leite, coloco-me a disposição para os grupos de trabalho.

Deixo aqui meu abraço e meu respeito, que Deus lhes abençoe amados.

Adrian Paz

No Rio de Janeiro, também perderam o filósofo Prof. Sidney Silveira, o pró-vida Márcio Gualberto, como também, em Curitiba, perdeu a pró-vida evangélica Dra. Marisa Lobo, etc.

* * *

(1) Sobre a campanha de 2012 a prefeito, seguem os links:
1. http://coluna-hermes-nery-votocatolico.blogspot.com.br/2012/09/esquemas-do-mandonismo-local-i.html
2. http://coluna-hermes-nery-votocatolico.blogspot.com.br/2012/10/esquemas-do-mandonismo-local-ii.html
3. http://coluna-hermes-nery-votocatolico.blogspot.com.br/2012/10/esquemas-do-mandonismo-local-iii.html

Leia também:

Os tubarões soltaram rojões e deram vivas a Chalita! – Apontamentos da campanha eleitoral para deputado federal em 2010

Fonte: Fratres in Unum

A RELIGIÃO DA PALAVRA – Dom Fernando Arêas Rifan

No próximo domingo, dia 27, celebraremos o dia nacional da Bíblia, dedicado a despertar e promover entre os fiéis o conhecimento e o amor dos Livros Sagrados, a Palavra de Deus escrita, redigida sob a moção do Divino Espírito Santo, motivando-os para sua leitura cotidiana, atenta e piedosa e, ao mesmo tempo, premunindo-os contra os erros correntes com relação à Bíblia mal interpretada.

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“Na Igreja, veneramos extremamente as Sagradas Escrituras, apesar da fé cristã não ser uma ‘religião do Livro’: o cristianismo é a ‘religião da Palavra de Deus’, não de ‘uma palavra escrita e muda, mas do Verbo encarnado e vivo’” (Verbum Domini – Bento XVI -, 7)

É de São Jerônimo, o grande tradutor dos Livros Santos, a célebre frase: “Ignorar a Sagrada Escritura é ignorar o próprio Cristo”. Portanto, o conhecimento e o amor às Escrituras decorrem do conhecimento e do amor que todos devemos a Nosso Senhor.

O ponto central da Bíblia, convergência de todas as profecias, é Jesus Cristo. O Antigo Testamento é preparação para a sua vinda e o Novo, a realização do seu Reino. “O Novo estava latente no Antigo e o Antigo se esclarece no Novo” (Santo Agostinho).

Dizemos que a Bíblia é um livro divino e humano: inspirada por Deus, mas escrita por homens, por Deus movidos e assistidos enquanto escreviam.

A Bíblia não é um livro só, mas um conjunto de 73 livros, redigidos por autores diferentes em épocas, línguas, estilos e locais diversos, num espaço de tempo de cerca de mil e quinhentos anos. Sua unidade se deve ao fato de terem sido todos eles inspirados por Deus, seu autor principal e garantia da sua inerrância.

Mas a Bíblia não é um livro de ciências humanas. Por isso a Igreja Católica reprova a leitura fundamentalista da Bíblia, que teve sua origem na época da Reforma Protestante e que pretende dar a ela uma interpretação literal em todos os seus detalhes, o que não é correto.

Além disso, a Bíblia não é um livro fácil de ser lido e interpretado. São Pedro, falando das Epístolas de São Paulo, nos diz que “nelas há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para a sua própria ruína, como o fazem também com as demais Escrituras” (II Pd 3, 16).

Por isso, o mesmo São Pedro nos adverte: “Sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal. Porque jamais uma profecia foi proferida por efeito de uma vontade humana. Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus” (2Pd 1, 20-21).  Assim, o ofício de interpretar autenticamente a Palavra de Deus escrita (a Bíblia Sagrada) ou transmitida oralmente (a Sagrada Tradição) foi confiado unicamente ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade se exerce em nome de Jesus Cristo, que disse aos Apóstolos e seus sucessores “até a consumação dos séculos”: “Ide e ensinai a todos os povos tudo o que vos ensinei… quem vos ouve a mim ouve”.

Dom Fernando Arêas Rifan, Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney. http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

 

MÃE QUE CHORAVA – Dom Fernando Arêas Rifan

Dois santos admiráveis celebramos nessa semana: Santa Mônica (dia 27) e Santo Agostinho (dia 28), do século IV.

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Aurélio Agostinho nasceu em Tagaste, na Região de Cartago, na África, filho de Patrício, pagão, e Mônica, cristã fervorosa. Segundo narra ele próprio, Agostinho bebeu o amor de Jesus com o leite de sua mãe. Infelizmente, porém, como acontece muitas vezes, a influência do pai fez com que se retardasse o seu batismo, que ele acabou não recebendo na infância nem na juventude. Estudou literatura, filosofia, gramática e retórica, das quais foi professor. Afastou-se dos ensinamentos da mãe e, por causa de más companhias, entregou-se aos vícios. Cometeu maldades, viveu no pecado durante sua juventude, teve uma amante e um filho, e, pior, caiu na heresia gnóstica dos maniqueus, para os quais trabalhou na tradução de livros.

Sua mãe, Santa Mônica, rezava e chorava por ele todos os dias. “Fica tranquila”, disse-lhe certa vez um bispo, “é impossível que pereça um filho de tantas lágrimas!” E foi sua oração e suas lágrimas que conseguiram a volta para Deus desse filho querido transviado.

Agostinho dizia-se um apaixonado pela verdade, que, de tanto buscar, acabou reencontrando na Igreja Católica: “ó beleza, sempre antiga e sempre nova, quão tarde eu te amei!”; “fizestes-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração está inquieto, enquanto não descansa em Vós!”: são frases comoventes escritas por ele nas suas célebres “Confissões”, onde relata a sua vida de pecador arrependido. Transferiu-se com sua mãe para Milão, na Itália. Dotado de inteligência admirável, a retórica, da qual era professor, o fez se aproximar de Santo Ambrósio, Bispo de Milão, também mestre nessa disciplina. Levado pela mãe a ouvir os célebres sermões do santo bispo e nutrido com a leitura da Sagrada Escritura e da vida dos santos, Agostinho converteu-se realmente, recebeu o Batismo aos 33 anos e dedicou-se a uma vida de estudos e oração. Ordenado sacerdote e bispo, além de pastor dedicado e zeloso, foi intelectual brilhantíssimo, dos maiores gênios já produzidos em dois mil anos da História da Igreja. Escreveu numerosas obras de filosofia, teologia e espiritualidade, que ainda exercem enorme influência. Foi, por isso, proclamado Doutor da Igreja. De Santo Agostinho, disse o Papa Leão XIII: “É um gênio vigoroso que, dominando todas as ciências humanas e divinas, combateu todos os erros de seu tempo”. Sua vida demonstra o poder da graça de Deus que vence o pecado e sempre, como Pai, espera a volta do filho pródigo.

Sua mãe, Santa Mônica, é o exemplo da mulher forte, de oração poderosa, que rezou a vida toda pela conversão do seu filho, o que conseguiu de maneira admirável. Exemplo para todas as mães que, mesmo tendo ensinado o bom caminho aos seus filhos, os vêm desviados nas sendas do mal. A oração e as lágrimas de uma mãe são eficazes diante de Deus. E a vida de Santo Agostinho é uma lição para nunca desesperarmos da conversão de ninguém, por mais pecador que seja, e para sempre estarmos sinceramente à procura da verdade e do bem.

Dom Fernando Arêas Rifan, Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney. http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

 

O CURA D’ARS – Dom Fernando Arêas Rifan

O mês de agosto é o mês dos sacerdotes e das vocações, porque nele se celebra o patrono de todos os padres, São João Maria Vianney, o Cura ou Pároco da cidadezinha francesa de Ars, “modelo sem par, para todos os países, do desempenho do ministério e da santidade do ministro”, no dizer de São João Paulo II, paradigma para a nova evangelização.

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Nascido de uma família de camponeses católicos e muito caridosos, João Maria tinha sete anos quando o Terror da Revolução Francesa reinava em Paris e os padres eram exilados ou mortos. Recebeu a primeira comunhão aos treze anos, durante o segundo Terror, quando a igreja de sua cidade foi fechada e as tropas revolucionárias atravessavam a paróquia. O governo revolucionário estabeleceu a constituição civil do clero e só os padres que faziam esse juramento cismático eram conservados nos cargos. Os outros padres, fiéis à Igreja e que não aceitavam aquele cisma, eram perseguidos, mas atendiam secretamente os fiéis nos paióis das fazendas. Foi a visão desses heróis da fé que fez surgir no jovem Vianney a sua vocação sacerdotal. Candidato, pois, ao heroísmo e à cruz no ministério.

Enfrentou dificuldades no Seminário, donde chegou a ser despedido por incapacidade nos estudos, teve problemas com o serviço militar, conseguiu, porém, aos vinte e nove anos, ser ordenado sacerdote, mas sem permissão para ouvir confissões. Após três anos, foi enviado a uma pequeníssima paróquia, Ars, onde permaneceu durante 42 anos, até o fim da sua vida.

“Há pouco amor de Deus nessa paróquia”, disse-lhe o Vigário Geral ao nomeá-lo, “Vossa Reverendíssima procurará colocá-lo lá”. De fato, Ars, nesse período pós Revolução Francesa, estava esquecida de Deus: pouca frequência às Missas, trabalho contínuo nos domingos, bailes, blasfêmias, etc. O Pe. Vianney começou com penitências e orações próprias. Pregação e catequese contínuas, visitas às famílias e caridade para com os pobres. A Igreja foi se enchendo. Ouvia confissões desde a madrugada até a noite. Peregrinos de toda a França acorriam a Ars, chegando a cem mil por ano. Suas pregações eram assistidas por bispos e cardeais. Seu catecismo era ouvido por grandes pregadores que ali vinham aprender com tanta sabedoria. Morreu aos 74 anos, esgotado pelas penitências e trabalhos apostólicos no ministério sacerdotal. Dizia esse herói da Fé: “É belo morrer depois de ter vivido na cruz”.

Por que razão a Igreja escolheu este santo tão simples para patrono dos padres? Porque sua vida demonstra a nulidade humana e a grandeza do poder de Deus. Para que aprendamos que não são nossos dotes e qualidades humanas que salvam as almas: Deus é que é o protagonista de toda ação pastoral. Por isso também o escolhemos para patrono de nossa União Sacerdotal, transformada pela Santa Sé em Administração Apostólica.

Que todos os fiéis, os grandes interessados, rezem pelos nossos sacerdotes e seminaristas, para que eles imitem a humildade, pobreza, retidão, zelo e fidelidade desse grande herói do ministério sacerdotal, que tanto honrou o sacerdócio paroquial e a Igreja de Cristo.

Dom Fernando Arêas Rifan, Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney. http://domfernandorifan.blogspot.com.br/